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Herói anônimo

15/03/2009

Parecia tudo um dia pacato novamente, quando sou surpreendido por um garoto, sorria, na sua mão morena, algumas balas:
-Vai uma bala ai tio?
Fiquei paralisado, o sorriso do garoto, poderia ficar escrevendo sobre razões para deixar de sorrir e o preço disso não equivaler a uma porção de balas, mas vou mais fundo.
Não nunca esperaria ele, na verdade nunca espero nada, vivo em surpresas, como esta, minha surpresa não foi o garoto em si e sim o sorriso branco e espontâneo.
Identifiquei-me com ele, vivo sorrindo também, mas ele sorri por falta de conhecimento? ou por ingenuidade? ou por simplesmente ter consciência das coisas? Talvez saiba que as pessoas tem medos bobos, e preocupações à toa, claro que estas coisas atingem a qualquer um, mas não são todos que as enfrentam com o mesmo modo, com um simples sorriso.
Conheci um herói, e não comprei sua bala.

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Tomem chuva

11/03/2009

Chuva, a chuva para as pessoas é algo indesejado, por isto temos o costume de esquecer o guarda chuva, simplesmente tentamos esquecer o que não nos agrada.
Gosto da chuva, já tomei bons e gostosos banhos de chuvas, na realidade muitas coisas boas que me acontecem vem acompanhadas de uma chuva.Não levo o guarda chuva para simplesmente não tê-lo que esquecer, imagina esquecer o que já vivi?Seria tolice, não sou perfeito eu sei, mas repetir os erros não é sábio, afinal a essência inicial não esta em nos livrar de nossos erros, e sim aprender a andar com eles.Por isto tomem chuva ;]

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Gato gentil

10/03/2009

Depois de meses, e meses sem pisar por aqui, percebo o quanto perco em nada colocar aqui, principalmente que alguns permanecem entrando por aqui e temos que ter novidades afinal também me divirto postando aqui ;]

Vou começar com um conto que fiz nesse carnaval passado:

Começo a pensar, por onde passei, o que já pensei, no que acreditava o quanto mudei, coisas simples simplesmente mudam o rumo das coisas, é incrível.
Uma dessas coisas me ocorreu quando estava num ônibus, sossegadamente no meu assento, quando uma senhora acompanhada de uma criança senta ao meu lado, a menininha de cara fechada, evidente que algo a preocupa.
A vovó percebendo minha curiosidade, disse prontamente:
- Ela esta triste por que o gatinho dela fugiu de casa – a criança concordava com movimentos leves para cima para baixo com a cabeça.
Não esperava que isto fosse a causa da tristeza da menina, para melhorar a situação disse para a menininha:
-Olha – olhava nos olhinhos dela, que estavam repletos de lagrimas – talvez ele tenha apenas dado uma viagem.
A vovó completou:
-Visitado os pais gatos, afinal ele merece ver os pais que vivem na “terra dos gatos”!- a menina já abria um sorriso no rosto, para alegria da vó e amargura para mim, estávamos mentindo para ela.
-Sério?- os olhos dela brilham – ele não vai voltar, finalmente vai achar os pais gatos e seus irmãozinhos gatinhos…– começa a chorar e me abraça, com tanta força.
O ônibus balança mas ela não me larga, a vó fica envergonhada, tenta tirar a menina, não consegue, o meu ponto chega, o ônibus pára, não desço, deixo a garota chorar em meu ombro, imagino como será quando ela souber a verdade.

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Nosso lar, minha luta

04/01/2009

*Primeiro poema feito no delírio da madrugada, espero que compreendam a mensagem, boa leitura ;]*

Para mim história;

Simples início do fim.


Viaja sem bagagens;

Nobre bárbaro?


Neste lar nascemos;

Nessa lama fomos atirados.


Viaja sem passagens;

Soberbo cavaleiro?


Agradam-me as pinturas idiotas;

Permanecem fora dos quadros.


Gabam-se de possuir todas paisagens;

Ilha verde;

Circulada pelo mar vermelho sujo.


Não é sangue;

Tédio.


Aonde vai?

Onde fui!


Paisagem ignorada;

Anônima.


Minha garota você tem que amar seu homem;

Garota você tem que amar um homem;


Segure-o pela mão;

Insista-o a crer:


Que o lar ele depende;

Ou o a lama nunca cessará;


Você pode soltar;

Se quiser.


Gilson jr

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O pássaro azul

16/11/2008

Ela sempre liga para me acordar.

Abro os olhos, que se contorcem irritados com a luz que sai da janela.

O celular no criado mudo próximo, espera ela me ligar.

Os pássaros lá fora, em suas árvores, cantam alegremente à procura de seus amados.Um azul canta com tanto vigor e desespero, deve estar só.

Com o cobertor me cubro, as mãos escondem o rosto, reviro na cama.Fecho os olhos, quero voltar ao meu sonho.

Vasculho nos confins da mente onde parei minha aventura.Sim, sim uma velha de vestido desbotado me mostra fotos, de pessoas que já se foram.Cada foto que me passava dava uma gargalhada.Não quero voltar para este sonho.

Meus olhos novamente abertos, já acostumados com a luz.Só estarei realmente acordado quando ela me ligar.

Os pássaros lá fora continuam seu canto.Levanto da cama ainda sem jeito, aprecio da janela as aves.De noite devem dormir de pé, quando de pé você pode cair, principalmente dormindo, por isto amanhecem tantos pássaros mortos no meu jardim.O pássaro azul não canta mais, permanece imóvel, me fitando.

O celular chama, é ela! É ela! Número desconhecido, atendo.O perfume que sinto é tão doce não, é ela, uma voz feminina pergunta:- “por favor o sr.Marcos?”. Eu posso ser um Marcos, mas respondi apenas:- “não há nenhum Marcos aqui”. Depois de refletir um pouco percebi que fui grosso com a moça, ela disse cordialmente:- “Desculpe foi engano tenha um bom dia”.Sorriu e desligou.

Volto para a janela, onde esta o pássaro azul que me encarava?Jaz no chão com seus companheiros de túmulo, finalmente dorme deitado.Agora acordo.

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Sozinho denovo, outra vez.

09/11/2008

Sozinho de novo, outra vez.

Não do tipo de inexistir ninguém para mim, contudo o fato de não haver ninguém por perto.

Isto explica este atual costumeiro isolamento para a escrita, inevitavelmente apenas escrevo sozinho.

Gosto de pessoas, claro, escrevo para elas, mas estar comigo, só, não tenho público e tenho só a mim para destinar a escrita.

O que faço agora é isto, logo depois de despedir de minha amada consumista, comigo estou apenas.

Você se pergunta: “Este escritorzinho escreve somente para ele?” Eu lhe respondo sem meu sarcasmo peculiar: “sim e não, escrevo somente para humanos bêbados de qualquer coisa, com entorpecentes facilita a compreensão”.

Sou o mais egoísta dos homens, tenho consciência de que vou para o inferno, pois lá estão ou estarão as pessoas que conheço apenas nos livros ou na vida mesmo.Só exijo que tenha churrasco, um lápis e um caderno.Nada mais.

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Meu amigo de antes ou meu amigo de hoje

31/10/2008

Crianças para todos os lados, rindo ou chorando, correndo ou simplesmente paradas.Juninho insiste em pairar na minha frente.Com seu sorriso desdentado, me chamou simplesmente, não faço idéia do que trama.Começou:

-Dê o soco mais forte que conseguir-, me desafia o catarrento.Com as mãos se livra da areia que imunda seu corpo, se prepara.Muito normal, estávamos num parquinho, mas a quantidade de areia que ele tira de sua cabeça é imensa.

Olhei para meu punho, logo depois para o rosto de meu amigo, se ele deseja.Eu o surpreenderei.

-Ai, minha orelha!Nossa, logo na orelha!- berrava ele – era no braço!Segura com ambas as mãos a orelha, já inchada.Como lhe é típico, tenta chorar, não consegue.

A professora se aproxima, sorrateiramente Juninho cospe nas mãos e passa nos olhos, agora chora.Não tive defesa, por fim a professora nos levou para o corredor da morte.Foi assim que nossa amizade terminou.

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Não conheço José o bastante, ele situado logo ao lado oposto da mesa.Tragou profundamente um cigarro e começou:

-Cara, eu preciso parar de fumar!- seus olhos arregalados, me fazem acreditar.

Todos, naquele bar, que fumam devem desejar o mesmo.José delicadamente jogou as cinzas num copo.

-Cara…-os olhos dele tão perdidos, opacos – faz três segundos que não fumo…e meu corpo insiste em querer mais – outra tragada, desta vez ficou a observar a fumaça que sai vagarosamente pela boca.Imagino se há apenas nicotina no cigarro dele.

Olhei para meu punho, logo depois para o rosto dele, se ele quer.Eu o surpreenderei.

-Ei!Meu cigarro – tenta pegar de volta – você está ajudando muito! – resmungou.

Joguei o projétil numa garrafa vazia sobre a mesa: José pegou outro cigarro e acendeu.

-Estou te ajudando-peguei o cigarro recém aceso e joguei na garrafa.

Os olhos dele ameaçavam chorar, acendeu outro, me livrei novamente da droga.Foi assim até acabar o maço.Lágrimas finalmente se despejam de seus olhos.

-Acabou – José chacoalha o maço indignado.Concordei com ele silenciosamente.

José tenta esconder as lágrimas com as mãos.Sentei-me ao seu lado e o abracei.Enquanto tento conforma-lo, ele furtivamente vira a garrafa tirando alguns cigarros, fingi não ver.Foi assim que nossa amizade começou.

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Preces de um bêbado

24/10/2008

Vou cambaleando fitando nos bares, em procura  de algo ou alguém,qualquer estúpido que me conhece sabe que estou na realidade apenas à passar o tempo. As pessoas desses ambientes me atraem profundamente, uma delas que conheci foi Helena.

Nem em um bar tive o privilegio de conhece-la, alias esse seu nome Helena, a principio me soou familiar,   somente depois que se foi que recordei nos primórdios de minha memória: “Mulher de incomparável beleza, que roubou o coração do príncipe Páris, de Tróia e gerou o lendário conflito entre gregos e troianos”, talvez seja esse o efeito quando se toma, essa bebida em excesso, o tempo sempre esvai e dispersa ou desperta, depende da dose.

Bem a meu caminho não muito longe,um observador veria que estávamos dançando num ritmo macabro, só não tinha música, sim estávamos bêbados. Meu deus como ela ria, me pergunto se a “gordinha” (apelido carinhoso), tinha apenas bebido.

Tenta dar um passo mais ousado, cai sentada na copa de uma árvore, sua cabeça insiste em girar tentando ficar em pé. Quando me aproximo, ela bate risonha no local ao seu lado, ela é amiga de todos.

Com os olhos meio abertos, meio fechados, tenta me reconhecer. Ela segura o próprio cabelo, como se me instruísse:- “segura meu cabelo que vou vomitar”, antes dela terminar, seus medos, seus pecados, suas preocupações, seu ex-namoradinho saem pela boca.

Aliviada tenta se arrumar, limpo sua boca com um modesto lenço, ela agradece com um levantar de mão. Ela estava mal, tento conforta-la com um abraço, lágrimas caem. Sóbria o bastante para os sentimentos, terminamos por nos beijar, antes imaginei que o que tinha saído de sua boca daria algum transtorno, mas não sua boca estava cremosa, pelo que me lembro.

Acabamos deitados no chão, procurando no céu, algo escrito para justificar nosso encontro, lembrávamos amigos de infância, bem alem de amigos, só nos fomos apresentados ha algumas horas, contudo tenho certeza de ser algo destinado sabe, enfim, ela respondeu por mim:- “esperei sempre por você, agora nos encontramos – ela aponta para uma estrela no céu – essa será nossa estrela!” – ria como uma criança.Procurei no céu a estrela, concordei mesmo não achando a estrela, agora toda vez que olho o breu da noite, a estrela mais brilhante que encontro será sempre a nossa.

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Eu odeio alguém

17/10/2008

Solidão em meu quarto.Não, tem alguém, aponto para o espelho.


Encaro aquele narigudo, ele me olha desconfiado, aproximo alguns passos, o narigudo insiste em acompanhar.


“Você não é nada!” -Gritou o imitador.A barba em seu rosto não cobre o vermelhado de raiva daquele plagiador.


Como aquelas brigas de crianças, “você é feio”, “não você é mais”.Eu retruco abalado: – “Você nunca será nada!”.


O mímico fajuto mantinha os olhos arregalados, numa tentativa frustrada de me intimidar, disse apenas: “Não posso querer ser nada”.


Ele ataca meu psicológico, mas vou resistir! “Eu tenho algo para você ser! – o fajuto abria a boca para uma reposta, contudo continuei – um rei, um rei dessa merda toda!”, o maldito abria os braços num modo circular, odeio sua arrogância.


Bocejou o narigudo, bocejou e não pois a imunda mão na boca. O suposto mímico, andava em minha direção, expressando em seu rosto nada, alem da determinação de acabar comigo.Quando o fajuto tinha face a face de mim, dei lhe um murro.O sangue saia de minha mão e ficava plano no rosto dele.Ele devolve um chute.Cai, com o espelho.


Aqui tudo no espelho é escuro, posso apenas ouvir os gritos liberdade daquele maldito mímico.Tenho que reivindicar minha posição de rei quando ele ousar olhar para um espelho, só me deixa inquieto uma coisa: quando fará isto?

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Morre um poeta

14/10/2008

Morreu um poeta, morreu de fome. Um andarilho caminha a uma distancia considerável, sua face não se surpreendia com o sujeito deitado no caminho:

-Tão doce seu semblante!-sussurrava o velho, comprovando a morte do jovem.Sobre os lábios do defunto flutuava um riso esperançoso.E o morto parecia adormecido, só isto.

As pálpebras cálidas revelaram olhos vermelhados, aquele que era defunto agarrou o velho, o poeta tentava suplicar, nada saia.O grisalho com ajuda das botas, afastou o trovador agressivamente, é normal ser repudiado, conformou-se o poeta vendo o andarilho correr desesperadamente.

O trovador morria outra vez agora de bruços.Este é o único meio de levar dias a sonhar.

Sim, sou insano, amo utopias e virtudes, só nos sonhos elas realmente não ocorrem.Num tempo sem Deus, me atrevo a crer, de longe nas teorias banais dos filósofos e cientistas, meu estomago revira perante a crença, por que seus instrutores gritam para que se acredite de carne e alma.

A poesia é meu cerco da loucura, minha crença, meu defeito cerebral.Tem-la é um grande favor, minha esmola da inspiração divina.E, quando tremo de miséria e fome, dão me um leito num hospital dos loucos… Como é gelado o éden sonhado, cadê!? Onde está meus anjos, minhas virgens, as malditas virgens foram me prometido, esses escolhidos mentirosos, corruptos, falsos!

Por isso adoro o libertino, este sem segredos, ou regras, isto sim, meu estomago agradece.

Preciso voltar, nenhum andarilho passa.Um pássaro pousou em minha cabeça, picou, picou, pensei e acabou amanhecendo.Comi pássaro naquela manhã, esse é um segredo nosso.