Posts com Tag ‘água’

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Jesus sorridente

05/10/2008

A igreja tinha as portas abertas, não tive culpa.

Só se ouvia o ecoar no templo, cada passada de meus pés.Um imenso corredor separava os inúmeros assentos.Na realidade nunca fui batizado, com toda aquela cerimônia, considero meu batismo um momento quando pequeno…quando quase me afoguei no mar.

Observo as pinturas que dão ares divinos, cada qual com sua moral, me identifiquei com alguns pecados, uma parede era dedicado apenas aos pecados capitais, gula, luxuria, ganância, egoísmo…

Não tenho nada há que culpar eles, meus erros são encolhas minhas, a última coisa que quero é algo melancólico para representar minhas virtudes.De tudo que me desconforta, fica em frente ao altar.Sim, mister Jesus me deixa intrigado, dependurado naquela cruz, com as pálpebras cerradas e aquela expressão impassível.

Meus dentes abriram num sorriso, olhei em volta, nenhuma alma viva, puxei uma cadeira próxima, posicionei em frente a estatua, outra olhada desconfiada, vazio.Subi seguro na cadeira, retirei um canetão vermelho do bolso, agora a arte começa: Fiz com cuidado um sorriso aberto, agora ele esta apresentável.

Desci com cuidado, apreciei pela última vez minha obra de arte, atravessei o corredor cercado de cadeiras, Jesus sorria para mim. Uma pequena fonte situava próxima a saída, bebi um pouco daquela água e limpei minhas mãos ainda sujas de tinta, me sinto leve porem vazio.

Atravessei o umbral da entrada o padre vinha, me perguntou serenamente:- “gostaria de se confessar?”.Respondi desesperadamente: ”meus pecados se foram!”, o padre pareceu compreender, seguimos nossos caminhos, ele para a decepção e eu você sabe.

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Colheita de girassóis

14/09/2008

Costumavamos sempre após à aula, ir para aquele córrego.

Na realidade era um esgoto, nos supreendiam o fato de peixes e flores continuarem vivas ali mesmo com todo aquele cheiro.

Eu e meu irmão, pegavamos girassóis que nascem nas redondesas daquele córrego.Afinal, mesmo com todo aquele cheiro de podridão, alguem tinha que matar aquelas plantas, era um simples favor.

Tentavamos fazer o mesmo com os peixes que restavam vivos, jogavamos pedras na água, porem nunca conseguiamos, infelismente.

Não sei qual dos motivos de arrancar aqueles girassóis, se era apenas para ver um sorriso no rosto da mamãe quando entregavamos à ela ou simplesmente um boa ação às florzinhas.

Num dia que chovia, os girasóis pareciam perdidos, procuravam o sol escondido atrás das blumas de final de tarde.

Meu irmão pegava seu girasol, a água batia sem se preocupar em suas costas a mesma era a reação dos peixes ao verem as goticulas baterem sobre eles.

Não podia ver aquilo.

Empurrei meu irmão naquele córrego imundo, os peixes pensavam algo do tipo:”o que fizemos para jogarem uma pedra tão grande?”, eu também não fazia idéia só não queria ve-los tão calmos.Meu irmão levantava a mão pedindo socorro, joguei uma pedra nele, quero ve-lo calmo como os peixes, ele cuspia aquela água cinza, os peixes não se importavam.

O girasol que meu irmão pegou estava na água, ele não podia morrer assim, fiquei na ponta do pé tentando alcançar aquele girasol, meu irmão se aproveitou da oportunidade e me derrubou, a água acizentada me invadia, sentia aquele gosto de gasolina me invadir, lembra um pouco coca-cola.

Na margem do rio meu irmão aparentava rir, eu não, os peixes riam, eu não, quando eles pararam de rir, eu sai da água, recolhi nossos girassóis, meu irmão estava imóvel.

Quando chegamos em casa, mamãe não sorria, ela queria saber por que meu irmão não falava, foi a partir desse dia que nunca mais fui recolher girassóis, nem sozinho.

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Minha irmanzinha

31/08/2008

Folhas, nascem direto do chão, tão enormes que chegão ao meu peito, elas são similares ao capim, porem com formatos de espirais, a maioria delas eram verdes, mas algumas se destacavam com cores vermelhas, azuis ou amarelas.

Eram tantas que eu não sabia como entrar, minha irmanzinha gritava de algum lugar lá dentro me chamando carinhosamente:-”Ei!!!, vem cá seu chato!.

Hesitei um pouco à entrar, as folhas não me arranhavam, pareciam ser feitas de plástico, contudo tão vivas, minha irmã me chamava, mais entusiasmada, ela achou algo, certeza:-”Ôh doidinho- me tratava assim quando estava lerdo- encontrei uma cachoeira!!!.

Eu corri, segui a voz doce e infantil dela, as folhas batiam em mim, eu não sentia, era uma deliciosa masagem.

Já fechava os olhos, correr não é uma prática usual minha, ouvia algo alêm de minha respiração ofegante, era água, em agitação, os risos de minha irmã eram claros.

Eu acelerava, quando dei por mim, derrepente me vi sem os pés no chão, cai, no corrego onde desaguava a cachoeirinha, minha irmanzinha ria, ela jogava água em mim, eu sorria, ela jogava mais água queria me acordar, entrei na brincadeira, jogava água nela, tudo era mágico.

Precisava tirar uma foto daquele momento, para num futuro, eu perdesse a memória, lembraria apenas desse instante único, quando nós não importavamos com nada.