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O pássaro azul

16/11/2008

Ela sempre liga para me acordar.

Abro os olhos, que se contorcem irritados com a luz que sai da janela.

O celular no criado mudo próximo, espera ela me ligar.

Os pássaros lá fora, em suas árvores, cantam alegremente à procura de seus amados.Um azul canta com tanto vigor e desespero, deve estar só.

Com o cobertor me cubro, as mãos escondem o rosto, reviro na cama.Fecho os olhos, quero voltar ao meu sonho.

Vasculho nos confins da mente onde parei minha aventura.Sim, sim uma velha de vestido desbotado me mostra fotos, de pessoas que já se foram.Cada foto que me passava dava uma gargalhada.Não quero voltar para este sonho.

Meus olhos novamente abertos, já acostumados com a luz.Só estarei realmente acordado quando ela me ligar.

Os pássaros lá fora continuam seu canto.Levanto da cama ainda sem jeito, aprecio da janela as aves.De noite devem dormir de pé, quando de pé você pode cair, principalmente dormindo, por isto amanhecem tantos pássaros mortos no meu jardim.O pássaro azul não canta mais, permanece imóvel, me fitando.

O celular chama, é ela! É ela! Número desconhecido, atendo.O perfume que sinto é tão doce não, é ela, uma voz feminina pergunta:- “por favor o sr.Marcos?”. Eu posso ser um Marcos, mas respondi apenas:- “não há nenhum Marcos aqui”. Depois de refletir um pouco percebi que fui grosso com a moça, ela disse cordialmente:- “Desculpe foi engano tenha um bom dia”.Sorriu e desligou.

Volto para a janela, onde esta o pássaro azul que me encarava?Jaz no chão com seus companheiros de túmulo, finalmente dorme deitado.Agora acordo.

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Um gato

08/09/2008

Deveria estar sonhando ou simplesmente dormindo.Mudo de posição na cama, olho janela à fora, vejo nada, só aquela densa neblina, sei que mesmo com tudo aquilo as estrelas estão lá brilhando para nós.

Um gato mia, olho para meu quadro ainda com a tinta fresca, o gato ali pintado de plumagem carmesim e olhos claros, não era ele, ele estava só encarando o outro quadro intermidado.Outro miado, é meu celular, talvez seja ela, com uma certa expectativa atendo: era apenas engano.

Ligo o mp3, coloco calmamente os fones, música toca, suspirei por fim, uma das minhas favoritas, foi a última escrita por Mozart, nem sequer foi terminada, batizaram-na de: Requeim, calma nenhum funeral vai ocorrer aqui, porem ela tem um efeito tão profundo, deixa você num estado nostálgico de esperança, força, lembrança e vitória, os quatro juntos.

Esperança pode ser útil, mas vitória, acho que merece ser comemorada, pela resposta para eu ler mais tarde.Força talvez para continuar a escrever isto, a lembrança de tudo aquilo pode ir do trágico ao agradável ou somente o contrário.

A músic entra no seu último compasso, mudo o mais rápido possível, não gosto de ouvir esta música até o final, da a impressão de que acabou.

Próxima música, está sim, adagio for strings, uma versão remixada, como a outra da um sentimento de lembrança mais euforia.Com um modo peculiar une a despedida e o reencontro numa única música, gosto de ouvi-la até o final.Quando estava na metade não aguentei, joguei o mp3 para longe, peguei minha toalha e fui para o banheiro, preciso de algo maior para esconder meus soluços.

Apenas fui, lá talvez encontre ela, mataremos a saudade, riremos do passado e conversaremos francamente.