Na eterna noite invernosa os vaga-lumes, luzeavam entre si: “quando ela pararia de gritar?”.Em plenos pulmões berrava sem hesitar, dobrando o corpo esquelético, cravando os dentes nos lençóis sujos.Uma idosa, vizinha sua de distancia longínqua, insistia em fazê-la engolir alguns tragos de vinho opaco e vermelho.A chama do lampião morria lentamente.
As paredes de barro vivo, deteriorado pela água, deslocava-se seres larvais, oscilantes a cada brado agudo.Ao pé da janela descansava a máquina de costura, com o trabalho ainda preso entre as presas.Extinguiu-se a chama, e a mulher, sob os dedos tímidos da velha, prosseguia berrando na escuridão.
Pôs no mundo o miúdo pela madrugada.No momento notou-se invadida por um incomum e profundo conforto.As lágrimas escorregavam-lhe dos olhos ocultados.Estava sozinha com o filho.Por que aquele de carne tenra e cálida, envolto em panos hemorrágicos, abraçado à sua pele, era seu filho…
Alvorecia o dia.Um clarão lívido veio sujar a miserável habitação.Lá fora, a tristeza dos insetos de terem sua noite perturbada.A mulher fitou o menino, que fazia seu novo gemido e abria e achegava a boca, lábios vermelhos, alojo sedento de vida e dor.E então a mãe sentiu tamanho carinho subir-lhe à garganta.Contrária à vontade do filho que sucumbia o seio, deu-lhe as mãos, suas ossudas mãos operárias; agarrou o pescoço frágil e apertou.Torceu amorosamente, em polimento, implacavelmente.Foi até o fim.Não se escuta nenhum inseto.

