Posts com Tag ‘felizes’

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Você já reparou

03/10/2008

“Você já reparou?”, ela remoinha seus pensamentos, procurando uma saída.

“Não estamos agindo como antes”, retruquei num tom profético.

“Você já se perguntou?”, ela continuava a insistir, “Por que eu sempre volto, afinal?”

Com ajuda do sol o mar pegava uma pigmentação avermelhada, “Me pergunto, depois de tudo… insistimos em retornamos”, braços entrelaçados, observávamos a deixa da lua.

“O que você fez comigo?”, levantei um sorriso em resposta, ela colocou uma das mãos na cintura: “é sério!”.

O vento vinha em nossa direção, o mar tentava nos expulsar, não, desta vez será um eterno recomeço.

“Depois que nos conhecemos… – procurava uma frase exata-… jamais fomos os mesmos”.Ela apoiou ambas mãos em meu ombro, ouvia sonhando, foi a visão mais bela que já tive.

“Se você não se importa que eu diga-seus lábios falavam lentamente-seremos diferentes… enquanto tivermos um ao outro”.Não compreendo o fato dela voltar e muito menos eu retornar, sempre naquele dia nesta praia.

Sussurramos juntos, “Minha fantasia da vida real”, ambos procuravam o reflexo no rosto do outro, não reparamos, que há muito tempo éramos felizes.

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O velho do sebo

02/09/2008

Conheço diversas pessoas, esta em especial merece uma observação minha. Todas as manhãs, passava pela frente daquele humilde sebo. Hoje foi diferente: na ponta dos olhos vi todos os livros de sempre, aclamando para serem comprados. Algo diferente, sentado entre as estantes, um senhor já de meia idade, cabelos grisalhos, com um sorriso aberto, era o dono do local, não, ele não queria vender nada. Ele era do tipo empreendedor, certo? Eu fazia amizades com empreendedores, começava uma conversa apenas com a simples pergunta:”Como vão as vendas?”. Seu rosto fechou: “mal”, disse apenas. Outro descontente. Peguei um livro qualquer da estante:
-Quanto custa?
Quase sem pensar ele retrucou:
-Não está à venda.

Ele sorriu logo depois, talvez tenha lembrado de algo bom. Mudei de assunto: “e a sua juventude, como foi?”. O velho olhou para mim procurando algo de confiável. Achou.

Disse simplesmente: “Comi 500 mulheres”. Ele mentia tão bem, fingi acreditar, enfim. Me supreendi teatralmente, por respeito. Peguei outro livro aleatório: “não está à venda”. O velho continuou:
- Primeiramente o homem precisa dançar, depois cantar…só.
Ele era sábio de um modo ou de outro. Levantou-se com certa fragilidade e pegou três livros num canto escondido da estante. Ele os estendeu. Estes livros eram sobre temas pacatos, do tipo auto-ajuda. Por vingança talvez não queria compra-los.
O velho parecia desapontado comigo, me despedi rapidamente. Lá fora o dia parecia outro, não liguei. Aquele velho talvez tenha feito essas mulheres felizes.

*obrigado mesmo natá, por revisar esse texto, e por gravar ele xD*