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Você já reparou

03/10/2008

“Você já reparou?”, ela remoinha seus pensamentos, procurando uma saída.

“Não estamos agindo como antes”, retruquei num tom profético.

“Você já se perguntou?”, ela continuava a insistir, “Por que eu sempre volto, afinal?”

Com ajuda do sol o mar pegava uma pigmentação avermelhada, “Me pergunto, depois de tudo… insistimos em retornamos”, braços entrelaçados, observávamos a deixa da lua.

“O que você fez comigo?”, levantei um sorriso em resposta, ela colocou uma das mãos na cintura: “é sério!”.

O vento vinha em nossa direção, o mar tentava nos expulsar, não, desta vez será um eterno recomeço.

“Depois que nos conhecemos… – procurava uma frase exata-… jamais fomos os mesmos”.Ela apoiou ambas mãos em meu ombro, ouvia sonhando, foi a visão mais bela que já tive.

“Se você não se importa que eu diga-seus lábios falavam lentamente-seremos diferentes… enquanto tivermos um ao outro”.Não compreendo o fato dela voltar e muito menos eu retornar, sempre naquele dia nesta praia.

Sussurramos juntos, “Minha fantasia da vida real”, ambos procuravam o reflexo no rosto do outro, não reparamos, que há muito tempo éramos felizes.

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Foi na praia.

31/08/2008

*agradecimentos especiais à Natália, que revisou este texto com paciência, me ajudando a aprimorar minha literatura, muito obrigado mesmo =DDD .*

Estava em férias, nada demais, iamos para a praia, não me lembro muito bem como era a praia. Ela disse que era imensa, de ponta a ponta, água num lado e você no outro, infinito apenas.

Ela me olhava de um modo peculiar, eu devolvia. Durava segundos, minutos, a eternidade. Sentíamos algo um pelo outro, fato, mas inexplicável.

Queriamos ficar sós, todos estavam perto. Eu tinha que falar para ela o que as pessoas chamavam de “se declarar”, só não sabia como fazer. Foi muito longe do que realmente ocorreu, muito.

Nos deixaram, falamos para eles: “queremos ver o pôr do sol”. Concordaram sem hesitar. Previam o que aconteceria? Não sei. Apenas eu, ela e o imenso mar em frente, olhávamos mais. Timidamente peguei em sua mão branquinha, ela sorria, o vento agitava seu cabelo dourado que ela arrumava toda vez que ia em seu rosto, era lindo.

O sol nos deixava, fazendo tudo laranja. Meu braço pousava em seu ombro, afinal, sem o sol, tudo tendia a ficar gelado. Ela estava corada, eu, vermelho como nunca. Estômagos revirados, não, não era uma indigestão.

Seu cabelo foi outra vez em seu rosto, onde pousei a mão. Seus olhos brilhavam. Sua face vermelha estava limpa. Senti sua repiração ofegante e prazerosa.

Aproximei-me de sua bochecha, um beijo leve, seus dóceis braços me contornavam. Ela cheirava a rosas, pegou meus lábios, não tinha espinho algum, peguei os seus. Não sei quanto durou, já era noite.

Víamos o céu, brilhante e confortante. Passamos assim a olhar as estrelas, a água batia em nossos calcanhares, hora de ir. Queríamos que durasse para sempre, mas foi. No outro dia fomos embora ao amanhecer. O dia parecia outro, tudo diferente.