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Herói anônimo

15/03/2009

Parecia tudo um dia pacato novamente, quando sou surpreendido por um garoto, sorria, na sua mão morena, algumas balas:
-Vai uma bala ai tio?
Fiquei paralisado, o sorriso do garoto, poderia ficar escrevendo sobre razões para deixar de sorrir e o preço disso não equivaler a uma porção de balas, mas vou mais fundo.
Não nunca esperaria ele, na verdade nunca espero nada, vivo em surpresas, como esta, minha surpresa não foi o garoto em si e sim o sorriso branco e espontâneo.
Identifiquei-me com ele, vivo sorrindo também, mas ele sorri por falta de conhecimento? ou por ingenuidade? ou por simplesmente ter consciência das coisas? Talvez saiba que as pessoas tem medos bobos, e preocupações à toa, claro que estas coisas atingem a qualquer um, mas não são todos que as enfrentam com o mesmo modo, com um simples sorriso.
Conheci um herói, e não comprei sua bala.

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A Velha

11/09/2008

Fiquei de longe à observar a velha tentar atravessar a rua, um carro passava em alta velocidade,ela hesitava, a senhora parava outra vez, um caminhoneiro a elogiava carinhosamente de cega antes de virar a próxima esquina com uma certa pressa.

O sol parecia não brilhar para ela, cada rachadura de seu corpo frágil tinha uma história boa para compartilhar, seguindo a regra geral de nunca dividir com os semelhantes coisas malévolas, mas como era egoísta.

Aproximei dela, na esperança de tirar uma experiência dela, ela tremia, desesperada, não aceitava sua situação, acha que consegue atravessar sozinha.Por fim se rendeu, vi em seus olhinhos cansados, seu pedido, ela queria mesmo morrer, eu não faria isto, peguei na sua mão mole, levei-a, olhei para ambos lados nenhum carro, atravessamos numa certa lerdeza, os motoristas foram pacientes, ela parecia um pouco alegre, acho que vi em seu rosto algo que lembre um sorriso, tirou de sua bolsinha florida uma modesta moeda, a partir dai esse passou a ser meu emprego principal, o de antes eu estava de férias permanente, não era renomeado, o trabalho em si era arrumar meu quarto.

Todo dia a velhinha ficava lá me esperando para ajuda-la, foi assim por pouco mais de um mês, ganhei muitas moedas, mamãe achou que eu estava me envolvendo com drogas ou me vendendo, esclareci para ela que se tivesse fazendo algo do tipo teria muito mais dinheiro.

Essa velha me surpreende, num certo dia, quando ajudava ela atravessar, ela estava diferente, muito mais tensa, e preocupada, no momento do pagamento, a decepção, ela fez um cafuné sem vitalidade em minha cabeça, ela quase chorava.

Não me importava com o dinheiro, alias poderia ganhar muito mais com outros meios, só não queria que ela conseguisse realizar seu maior desejo.

No seguinte dia, estava lá eu, na mesma hora, havia algo diferente na paisagem habitual, pessoas curiosas formavam uma roda em meio ao asfalto, me aproximei, com dificuldade vi, lá estava ela retorcida no chão listrado, ela conseguiu o que queria, isto me deixou triste muito triste mesmo.

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Um cão lunfardo

06/09/2008

Ele era branco, parecia um monte de neve ambulante, seu latido acalmava todos próximos, desta vez foi excessão.Todos estavam em mesma direção naquela imensa avenida.Gritavam.Businavam.Só não percebiam, que por mais que produzam sons, não era música e isto não os tirava do lugar.

Choveu à muito tempo, para decepção do cão, mesmo assim seu latido não sutia efeito algum.As adjacentes da avenida estavam praticamante vazias, para que usa-las?Levariam para o mesmo destino inveitável a única vantagem é poder conversar com alguem.

O cão tentava ao extremo, se aproximava das pessoas, dando elas a oportunidade de tatearem sua plumagem.Ele acreditava que isto as acalmava, foi em vão.Resultou em sua morte.

Eu esperava o cão se aproximar ao meu carro, agora estava morto.

Desistiu.

Deixei meu carro, lá parado estava anos, demorariam para perceber.Segui meu caminho sozinho, nas ruas desconhecidas.Provavelmente, chegarei mais rápido.Quando estiver próximo, indicarei num mapa para os outros que desistiram, assim aproveitarião melhor a viagem, mesmo sendo passageira.

Como sua vida no final, similar à uma chuva passageira, vou apercebendo…finalmente cheguei, o ar não é seco ou poluído, contudo chover seria tão gratificante.