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Encontrei minha estrela

02/10/2008

Silêncio, silêncio.

Não durmi, a noite passou como um bater de asas porem demorado, o sol já toma minha janela, enigmamente uma cruz se projeta na minha parede graças ao sol, com olhos cerrados observo aquela sombra, o sol bate na grade em questão de ângulo temos minha cruz, que pena, imaginei que meu chamado foi ouvido, maldita ciência que nos eleva a meros mortais.

Poderia afirmar isto sem medo, contudo existem coisas alem que o céu e a terra, hoje antes de tentar dormir, vi eles.

Observava as estrelas na janela afora, costumo fazer isto antes de cair num sono, comum para mim.

Uma estrela me chamou a atenção, brilhava muito mais que suas irmãs, uma desconhecida, como poderia nunca tê-la percebido?

Fui laçado por ela por minutos, tentava a decifrar, ela se moveu para a esquerda ou direita não importa, corri para pegar uma câmera, quando volto nada da estrela.

Sou deus e movo estrelas, o mais egoísta dos seres, utilizo uma estrela apenas para projetar uma cruz na parede.

Uma de minhas estrelas esta perdida, minha mão não para de esfregar meus cabelo, estou preocupado com isto.Fui para a escuridão onde deveria estar minha querida, cai na sombra, encontrei nada lá, apenas eu.

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Colheita de girassóis

14/09/2008

Costumavamos sempre após à aula, ir para aquele córrego.

Na realidade era um esgoto, nos supreendiam o fato de peixes e flores continuarem vivas ali mesmo com todo aquele cheiro.

Eu e meu irmão, pegavamos girassóis que nascem nas redondesas daquele córrego.Afinal, mesmo com todo aquele cheiro de podridão, alguem tinha que matar aquelas plantas, era um simples favor.

Tentavamos fazer o mesmo com os peixes que restavam vivos, jogavamos pedras na água, porem nunca conseguiamos, infelismente.

Não sei qual dos motivos de arrancar aqueles girassóis, se era apenas para ver um sorriso no rosto da mamãe quando entregavamos à ela ou simplesmente um boa ação às florzinhas.

Num dia que chovia, os girasóis pareciam perdidos, procuravam o sol escondido atrás das blumas de final de tarde.

Meu irmão pegava seu girasol, a água batia sem se preocupar em suas costas a mesma era a reação dos peixes ao verem as goticulas baterem sobre eles.

Não podia ver aquilo.

Empurrei meu irmão naquele córrego imundo, os peixes pensavam algo do tipo:”o que fizemos para jogarem uma pedra tão grande?”, eu também não fazia idéia só não queria ve-los tão calmos.Meu irmão levantava a mão pedindo socorro, joguei uma pedra nele, quero ve-lo calmo como os peixes, ele cuspia aquela água cinza, os peixes não se importavam.

O girasol que meu irmão pegou estava na água, ele não podia morrer assim, fiquei na ponta do pé tentando alcançar aquele girasol, meu irmão se aproveitou da oportunidade e me derrubou, a água acizentada me invadia, sentia aquele gosto de gasolina me invadir, lembra um pouco coca-cola.

Na margem do rio meu irmão aparentava rir, eu não, os peixes riam, eu não, quando eles pararam de rir, eu sai da água, recolhi nossos girassóis, meu irmão estava imóvel.

Quando chegamos em casa, mamãe não sorria, ela queria saber por que meu irmão não falava, foi a partir desse dia que nunca mais fui recolher girassóis, nem sozinho.

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Foi na praia.

31/08/2008

*agradecimentos especiais à Natália, que revisou este texto com paciência, me ajudando a aprimorar minha literatura, muito obrigado mesmo =DDD .*

Estava em férias, nada demais, iamos para a praia, não me lembro muito bem como era a praia. Ela disse que era imensa, de ponta a ponta, água num lado e você no outro, infinito apenas.

Ela me olhava de um modo peculiar, eu devolvia. Durava segundos, minutos, a eternidade. Sentíamos algo um pelo outro, fato, mas inexplicável.

Queriamos ficar sós, todos estavam perto. Eu tinha que falar para ela o que as pessoas chamavam de “se declarar”, só não sabia como fazer. Foi muito longe do que realmente ocorreu, muito.

Nos deixaram, falamos para eles: “queremos ver o pôr do sol”. Concordaram sem hesitar. Previam o que aconteceria? Não sei. Apenas eu, ela e o imenso mar em frente, olhávamos mais. Timidamente peguei em sua mão branquinha, ela sorria, o vento agitava seu cabelo dourado que ela arrumava toda vez que ia em seu rosto, era lindo.

O sol nos deixava, fazendo tudo laranja. Meu braço pousava em seu ombro, afinal, sem o sol, tudo tendia a ficar gelado. Ela estava corada, eu, vermelho como nunca. Estômagos revirados, não, não era uma indigestão.

Seu cabelo foi outra vez em seu rosto, onde pousei a mão. Seus olhos brilhavam. Sua face vermelha estava limpa. Senti sua repiração ofegante e prazerosa.

Aproximei-me de sua bochecha, um beijo leve, seus dóceis braços me contornavam. Ela cheirava a rosas, pegou meus lábios, não tinha espinho algum, peguei os seus. Não sei quanto durou, já era noite.

Víamos o céu, brilhante e confortante. Passamos assim a olhar as estrelas, a água batia em nossos calcanhares, hora de ir. Queríamos que durasse para sempre, mas foi. No outro dia fomos embora ao amanhecer. O dia parecia outro, tudo diferente.