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Sozinho denovo, outra vez.

09/11/2008

Sozinho de novo, outra vez.

Não do tipo de inexistir ninguém para mim, contudo o fato de não haver ninguém por perto.

Isto explica este atual costumeiro isolamento para a escrita, inevitavelmente apenas escrevo sozinho.

Gosto de pessoas, claro, escrevo para elas, mas estar comigo, só, não tenho público e tenho só a mim para destinar a escrita.

O que faço agora é isto, logo depois de despedir de minha amada consumista, comigo estou apenas.

Você se pergunta: “Este escritorzinho escreve somente para ele?” Eu lhe respondo sem meu sarcasmo peculiar: “sim e não, escrevo somente para humanos bêbados de qualquer coisa, com entorpecentes facilita a compreensão”.

Sou o mais egoísta dos homens, tenho consciência de que vou para o inferno, pois lá estão ou estarão as pessoas que conheço apenas nos livros ou na vida mesmo.Só exijo que tenha churrasco, um lápis e um caderno.Nada mais.

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Colheita de girassóis

14/09/2008

Costumavamos sempre após à aula, ir para aquele córrego.

Na realidade era um esgoto, nos supreendiam o fato de peixes e flores continuarem vivas ali mesmo com todo aquele cheiro.

Eu e meu irmão, pegavamos girassóis que nascem nas redondesas daquele córrego.Afinal, mesmo com todo aquele cheiro de podridão, alguem tinha que matar aquelas plantas, era um simples favor.

Tentavamos fazer o mesmo com os peixes que restavam vivos, jogavamos pedras na água, porem nunca conseguiamos, infelismente.

Não sei qual dos motivos de arrancar aqueles girassóis, se era apenas para ver um sorriso no rosto da mamãe quando entregavamos à ela ou simplesmente um boa ação às florzinhas.

Num dia que chovia, os girasóis pareciam perdidos, procuravam o sol escondido atrás das blumas de final de tarde.

Meu irmão pegava seu girasol, a água batia sem se preocupar em suas costas a mesma era a reação dos peixes ao verem as goticulas baterem sobre eles.

Não podia ver aquilo.

Empurrei meu irmão naquele córrego imundo, os peixes pensavam algo do tipo:”o que fizemos para jogarem uma pedra tão grande?”, eu também não fazia idéia só não queria ve-los tão calmos.Meu irmão levantava a mão pedindo socorro, joguei uma pedra nele, quero ve-lo calmo como os peixes, ele cuspia aquela água cinza, os peixes não se importavam.

O girasol que meu irmão pegou estava na água, ele não podia morrer assim, fiquei na ponta do pé tentando alcançar aquele girasol, meu irmão se aproveitou da oportunidade e me derrubou, a água acizentada me invadia, sentia aquele gosto de gasolina me invadir, lembra um pouco coca-cola.

Na margem do rio meu irmão aparentava rir, eu não, os peixes riam, eu não, quando eles pararam de rir, eu sai da água, recolhi nossos girassóis, meu irmão estava imóvel.

Quando chegamos em casa, mamãe não sorria, ela queria saber por que meu irmão não falava, foi a partir desse dia que nunca mais fui recolher girassóis, nem sozinho.