Morreu um poeta, morreu de fome. Um andarilho caminha a uma distancia considerável, sua face não se surpreendia com o sujeito deitado no caminho:
-Tão doce seu semblante!-sussurrava o velho, comprovando a morte do jovem.Sobre os lábios do defunto flutuava um riso esperançoso.E o morto parecia adormecido, só isto.
As pálpebras cálidas revelaram olhos vermelhados, aquele que era defunto agarrou o velho, o poeta tentava suplicar, nada saia.O grisalho com ajuda das botas, afastou o trovador agressivamente, é normal ser repudiado, conformou-se o poeta vendo o andarilho correr desesperadamente.
O trovador morria outra vez agora de bruços.Este é o único meio de levar dias a sonhar.
Sim, sou insano, amo utopias e virtudes, só nos sonhos elas realmente não ocorrem.Num tempo sem Deus, me atrevo a crer, de longe nas teorias banais dos filósofos e cientistas, meu estomago revira perante a crença, por que seus instrutores gritam para que se acredite de carne e alma.
A poesia é meu cerco da loucura, minha crença, meu defeito cerebral.Tem-la é um grande favor, minha esmola da inspiração divina.E, quando tremo de miséria e fome, dão me um leito num hospital dos loucos… Como é gelado o éden sonhado, cadê!? Onde está meus anjos, minhas virgens, as malditas virgens foram me prometido, esses escolhidos mentirosos, corruptos, falsos!
Por isso adoro o libertino, este sem segredos, ou regras, isto sim, meu estomago agradece.
Preciso voltar, nenhum andarilho passa.Um pássaro pousou em minha cabeça, picou, picou, pensei e acabou amanhecendo.Comi pássaro naquela manhã, esse é um segredo nosso.

