Posts com Tag ‘velho’

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Morre um poeta

14/10/2008

Morreu um poeta, morreu de fome. Um andarilho caminha a uma distancia considerável, sua face não se surpreendia com o sujeito deitado no caminho:

-Tão doce seu semblante!-sussurrava o velho, comprovando a morte do jovem.Sobre os lábios do defunto flutuava um riso esperançoso.E o morto parecia adormecido, só isto.

As pálpebras cálidas revelaram olhos vermelhados, aquele que era defunto agarrou o velho, o poeta tentava suplicar, nada saia.O grisalho com ajuda das botas, afastou o trovador agressivamente, é normal ser repudiado, conformou-se o poeta vendo o andarilho correr desesperadamente.

O trovador morria outra vez agora de bruços.Este é o único meio de levar dias a sonhar.

Sim, sou insano, amo utopias e virtudes, só nos sonhos elas realmente não ocorrem.Num tempo sem Deus, me atrevo a crer, de longe nas teorias banais dos filósofos e cientistas, meu estomago revira perante a crença, por que seus instrutores gritam para que se acredite de carne e alma.

A poesia é meu cerco da loucura, minha crença, meu defeito cerebral.Tem-la é um grande favor, minha esmola da inspiração divina.E, quando tremo de miséria e fome, dão me um leito num hospital dos loucos… Como é gelado o éden sonhado, cadê!? Onde está meus anjos, minhas virgens, as malditas virgens foram me prometido, esses escolhidos mentirosos, corruptos, falsos!

Por isso adoro o libertino, este sem segredos, ou regras, isto sim, meu estomago agradece.

Preciso voltar, nenhum andarilho passa.Um pássaro pousou em minha cabeça, picou, picou, pensei e acabou amanhecendo.Comi pássaro naquela manhã, esse é um segredo nosso.

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O velho do sebo

02/09/2008

Conheço diversas pessoas, esta em especial merece uma observação minha. Todas as manhãs, passava pela frente daquele humilde sebo. Hoje foi diferente: na ponta dos olhos vi todos os livros de sempre, aclamando para serem comprados. Algo diferente, sentado entre as estantes, um senhor já de meia idade, cabelos grisalhos, com um sorriso aberto, era o dono do local, não, ele não queria vender nada. Ele era do tipo empreendedor, certo? Eu fazia amizades com empreendedores, começava uma conversa apenas com a simples pergunta:”Como vão as vendas?”. Seu rosto fechou: “mal”, disse apenas. Outro descontente. Peguei um livro qualquer da estante:
-Quanto custa?
Quase sem pensar ele retrucou:
-Não está à venda.

Ele sorriu logo depois, talvez tenha lembrado de algo bom. Mudei de assunto: “e a sua juventude, como foi?”. O velho olhou para mim procurando algo de confiável. Achou.

Disse simplesmente: “Comi 500 mulheres”. Ele mentia tão bem, fingi acreditar, enfim. Me supreendi teatralmente, por respeito. Peguei outro livro aleatório: “não está à venda”. O velho continuou:
- Primeiramente o homem precisa dançar, depois cantar…só.
Ele era sábio de um modo ou de outro. Levantou-se com certa fragilidade e pegou três livros num canto escondido da estante. Ele os estendeu. Estes livros eram sobre temas pacatos, do tipo auto-ajuda. Por vingança talvez não queria compra-los.
O velho parecia desapontado comigo, me despedi rapidamente. Lá fora o dia parecia outro, não liguei. Aquele velho talvez tenha feito essas mulheres felizes.

*obrigado mesmo natá, por revisar esse texto, e por gravar ele xD*